YouTube derrubou lives?

Entenda por que o YouTube derrubou lives de astros da música

Engana-se quem pensa que as lives de diversos cantores mundo afora são apenas diversão e entretenimento para incentivar pessoas a continuarem em isolamento em meio à pandemia do coronavírus.

Os shows caseiros se tornaram um verdadeiro negócio. No Brasil, em especial, as lives no YouTube se tornaram uma febre. 

“Daqui para frente, essa deve ser uma estratégia cada vez mais adotada por artistas para lançamentos dos seus trabalhos”, explica a jornalista Georgia Pinheiro, CEO da agência Amuletto Digital.

A jornalista aponta, no entanto, que as lives derrubadas de grandes artistas significam um desconhecimento das regras da plataforma.

“As restrições impostas pela pandemia obrigaram os artistas a buscarem alternativas para divulgação do trabalho. A opção pelo YouTube foi acertada, mas antes seria preciso estudar a plataforma para não ter o trabalho jogado fora”, diz Georgia, que é especialista no assunto.

Lives derrubadas pelo YouTube

No entanto, muitos dos artistas que optaram por fazer lives no YouTube tiveram problemas com monetização e transmissão. Alguns relataram que tiveram as apresentações derrubadas pela plataforma.

O caso mais recente foi o da cantora Ivete Sangalo. Segundo o jornalista Leo Dias, do UOL, uma falha técnica no sistema de detecção de conteúdo pirateado penalizou a cantora na noite de sábado (25). 

A live de Ivete no YouTube foi suspensa momentaneamente, sob a acusação de estar violando direitos autorais do Grupo Globo, já que também foi transmitida pelo Multishow e pelo Globopay.

“Todos os artistas que fizeram lives, de alguma maneira, precisaram buscar as melhores práticas no início ou ao longo do processo, por ser um território novo”, disse Guilherme Figueiredo, diretor de marketing digital da Som Livre, entrevista à Folha de S.Paulo.

Ao jornal, ele contou que foi a própria gravadora quem tirou do ar a live de César Menotti & Fabiano – e não o YouTube, como a dupla havia denunciado.

A empresa agiu para evitar que o canal dos cantores recebesse uma punição, já que a transmissão tinha anúncios nos mesmos moldes que os da plataforma de vídeos.

Outro exemplo é o do cantor Felipe Araújo. Quem derrubou sua a live no YouTube foi a própria gravadora, a Universal Music, justamente para evitar um prejuízo maior ao artista pela plataforma, como a suspensão de todo o seu canal.

Já com Gusttavo Lima o problema foi com o Conar, que abriu representação contra a publicidade de cerveja.

“A denúncia cita a falta de mecanismo de restrição de acesso ao conteúdo das lives a menores de idade e a repetida apresentação de ingestão de cerveja, em potencial estímulo ao consumo irresponsável do produto”, disse a agência.

Na prática, o problema não era que Lima tomava bebidas alcoólicas, mas sim que estimulava de modo indevido o consumo da cerveja. 

 “Não farei live para ser censurado. Uma live engessada e politicamente correta não tem graça”, tuitou o cantor.

A regulamentação do Conar e os anúncios no mesmo formato do YouTube são as únicas limitações da plataforma em termos de propaganda, diz Cauã Taborda, gerente de comunicação do Google à Folha.

Ele esclarece que a monetização dos vídeos se dá de duas formas. Uma parte vem das assinaturas dos serviços pagos do YouTube e a outra do percentual das receitas geradas com os anúncios da plataforma.

Como o YouTube sabe que um artista cantou música de outro?

O reconhecimento das músicas é feita por um sistema automatizado, que identifica a obra mesmo quando tocada ao vivo e em diferentes versões.

É isso que possibilita o pagamento ao Ecad. A live de Henrique & Juliano, por exemplo, só seria derrubada se os representantes dos compositores de alguma música que a dupla tocasse, depois de notificados, vetassem a performance.

Mesmo que as lives musicais sejam novidade, o YouTube já é há algum tempo uma das plataformas mais usadas para se consumir música e não mudou as regras neste momento de maior exposição.

“A publicidade que roda em videoclipes representa por volta de 25% da receita de música gravada —para ser claro, estou excluindo dessa conta a receita com venda de ingresso, direitos de imagem e execução pública”, diz Figueiredo, da Som Livre. “Já a presença de marcas em lives no YouTube é um novo território, que ainda não possui dados consolidados”, completa.

Independente do alcance das lives, o valor pago pela plataforma é fixo e previsto em contrato. Isso significa que as transmissões, ainda que tenham audiências robustas, não vão gerar renda extra a compositores.

O equivalente em direitos autorais —excluindo o fonograma, pago à gravadora— por um play no YouTube é de R$ 0,00005. Ou seja, R$ 5 a cada 100 mil views.

Ranking de lives no YouTube

De acordo com o site Notícias da TV, o Brasil tem 4 das 5 maiores audiências mundiais do YouTube registradas até agora, dia 28 de abril de 2020.

A líder é Marília Mendonça, que chegou a ter 3,3 milhões de espectadores simultâneos na apresentação de 8 de abril. 

Na segunda colocação, a dupla Jorge & Mateus teve mais de 3,16 milhões de contas assistindo à transmissão em 4 de abril.

O terceiro colado é o único estrangeiro na lista: o tenor Andrea Bocelli, com um pico de 2,8 milhões de pessoas. 

Em quarto lugar, ficou a live de Gusttavo Lima, com 2,76 milhões de acessos simultâneos.

Na quinta colocação está o show bem família de Sandy e Junior, que chegou a 2,54 milhões de pessoas sintonizadas ao mesmo tempo. 

No país, segundo o YouTube, as apresentações de Henrique & Juliano, Wesley Safadão, Zé Neto & Cristiano, Amigos (Leonardo, Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano), Raça Negra, Roberto Carlos e Bruno & Marrone foram algumas das que também ultrapassaram a marca de 1 milhão de espectadores simultâneos.

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